sábado, 12 de fevereiro de 2011

Uma grande confusão para um pequeno castelo.

Dentro daquele castelo (que mais parecia uma floresta labiríntica do que um castelo), havia uma grande e desorganizada mistura de ideias.
O castelo, situava-se no extremo mais alto do mundo. Dentro de uma cúpula de material branco que o protegia contra as agressões exteriores.
Mas, se por um lado o castelo estava protegido contra o que havia lá fora, quem haveria de o proteger contra o que havia lá dentro?
Sim.
O maior dos perigos é aquele que desconhecemos.
Como o desconhecemos, nada fazemos para nos salva-guardarmos.
E é por isso que este tipo de perigo, é o pior.
E digo-vos que dentro daquele castelo, havia muito a temer...
As ideias matavam-se umas às outras.
As imagens rodopiavam numa roda viva de curtas-metragens que aterravam os pobres sentimentos, fazendo apenas o mais forte, o medo, reinar.
No entanto, havia uma pequena habitação, isolada dentro do castelo.
Isolada porque estava escondia.
Nessa habitação, havia tudo o que era bom.
Mas toda a bondade estava aprisionada. E esta, só saía da sua gaiola para passear pelo jardim. Aí, transformava-se em flores que um jardineiro bondoso e muito simpático, regava com amor e carinho.
Oh, como as flores adoravam aquela doce sensação de água fresca.
Mas ao final do dia, quando o encantamento estava prestes a desaparecer, a bondade tinha de voltar para a gaiola. Gaiola esta que estava presa por fios de seda imaginários, no tecto da pequena habitação.
Não era uma gaiola física. Pois nada naquele castelo o era. A não ser, claro, a cúpula de material duro e branco que os protegia. Mas a pior prisão, é mesmo a prisão psicológica.
Aquela barreira que não nos deixa exprimirmo-nos.
Era assim que a bondade se sentia. Presa. Presa no seu próprio mundo.

Felizmente, um dia um pássaro apareceu e devorou toda a maldade.
Quando estava satisfeito, aprisionou alguns laivos de escuridão dentro de uma prisão de metal frio.
De seguida, cortou gentilmente  com o seu bico, os fios de seda imaginários que prendiam a gaiola.
Esta, uma vez "livre", desapareceu. Deixando a porta da habitação aberta para que a bondade se espalhasse agora pelo castelo recém-desocupado.
Então tudo ficou bem.
Porém, com alguma frequência, quando o olhar do pássaro guardião se apazigua e a pressão sobre o mal é algo aliviada, a maldade continua a fazer das suas. O que deixa o castelo num estado lastimoso.
Ainda bem que há mais bondade para o voltar a erguer.
O castelo nunca mais será dominado pela escuridão.
Não, pelo menos enquanto o pequeno pássaro continuar a vigiar o majestoso edifício.

O pássaro era o jardineiro. Que sempre conhecera muito bem as suas flores.
"Obrigada, muito obrigada." Pensava ela enquanto adormecia dentro de um castelo muito mais harmonioso e seguro.


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